28 dezembro 2008

Feliz ano novo

Dou-me os parabéns por mais uma vez ter quebrado a minha promessa de vir escrever a este blog uma vez por semana. Já lá vão umas três bem sei. Não faço por mal, o tempo escasseia e são raros os momentos que tenho para divagações inúteis como esta.

O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.

E quanto tempo é isso, pergunto eu. Quem me responde? O tempo não será de certeza, tal como nós humanos sobrecarregamo-nos neste tapete voador a que se chama calendário, o tempo não tem tempo para dedicar aos transeuntes.
O Natal já foi e vem agora o ano novo, mais um ano que passa, é altura de fazer o balanço do tempo que passou. Fazer promessas que categoricamente não se irão cumprir e ser indulgente com o tempo nesta noite que encerra o velho e jura o novo. Mais uma vez, reitero o que aqui afirmei anteriormente, porquê numa única noite? O ano não vai ter os habituais 365 dias que para nada já chegam (366 se for ano bissexto)? Qual o sentido disto tudo? Não devo poder fazer perguntas destas porque duvido que alguém tenha tempo para responder. De qualquer forma é mais uma entrada nesta estrada analfabeta a que chamo desabafos e além disso, se fizer as perguntas sinto-me tentada a procurar respostas e as interrogações fazem-nos sempre parecer mais inteligentes.

Boas entradas!

07 dezembro 2008

Jingle ..aham.. er.. tra-la-la-la!

É suposto escrever qualquer coisinha aqui de vez em quando. Hum, deixa ver.. Estamos no Natal, será este um bom tópico? O Natal é uma festa religiosa, época de paz e alegria e, até esperança. Sim, esperança! De quê não sei. A realidade é que na minha inocência pagã não consigo gostar do Natal. Como ele é praticado hoje em dia, quero dizer. Em vez do dito amor entre todos os homens, assiste‐se a uma guerra sanguinária em qualquer centro comercial em que se cometa a loucura de entrar.
Sejamos sinceros, já passaram mais de 2000 anos desde que aquele senhor que até mandava uns bitates nasceu. A meu crer diria mesmo que já ninguém se lembra. O importante é demonstrar, àqueles de quem mais gostamos, o exacto preço do nosso amor. “Sim, eu gosto de ti 96€ mas aparentemente não é mútuo, vi esse casaco que me deste na sacoor a 49€” – ora, ora, que cruel, não é verdade. O Natal é, como já ouvi dizer, o que tu quiseres dar e passo a citar o exemplo escolhido: “uma pedra que encontres na calçada” ... posso estar enganada, mas a menos que eu tencione partir um vidro para me infiltrar num qualquer evento de forma clandestina, não vejo mais utilidades para o teu amor. Não é que o seu conceito base não seja bonito, é, e reconheço‐o, apenas não creio que com hipocrisia a coisa vá ao sítio. Num único dia do ano, pôr de lado as divergências e engolir com amargura o orgulho, deixando assente em marcas subtis que a nossa submissão foi forçada pela festa, simplesmente para não incomodar os vizinhos. Gostaria de pensar num mundo em que essas mesmas divergências seriam resolvidas com maturidade em qualquer outra altura do ano, por moto próprio, louvando a racionalidade e facilitando então agora o tal cumprimento “Hey, feliz natal para ti!” (isto já não se pode dizer, o termo politicamente correcto é Festas Felizes, para respeitar os cidadãos que não celebram o rito); Gostaria de crer que o Natal não é a época do ano com maior taxa de suicídios, que não antecede o ano novo como uma fase de excessos, em todos os campos, materialista, culinários e alcóolicos, que não é motivo de stress com os presentes, embrulhos, enfeites e consoadas, e assim.. Talvez assim, poder colocar, livremente, toda a enfâse possível nas quatro sílabas do consumismo.
Mas este ano ainda não...


Bem.. Pelo menos a música nos supermercados é gira.