14 agosto 2009

Epitáfio Em Memória d'O Sofá

Há coisas que nos acompanham desde sempre. Coisas materiais cuja origem não conhecemos muito bem mas desde o ínicio da nossa história, ou pelo menos, do que nos lembramos dela, sempre estiveram lá, marcando presença assídua na memória. Estico-me aqui, muito além do absurdo habitual, para escrever sobre um sofá, O sofá concretamente. A coisa material que me ocupou a tarde inteira, neste clima quase desértico, que experienciamos durante este Agosto. Não cresci muito mais, mas desde pequena que O sofá lá está, a marcar presença por entre o restante mobiliário, quase nunca utilizado. Acompanhou a primeira mudança, tendo deixado os outros para trás, O sofá durante uns tempitos foi o nosso único local de assento, até se adquirirem os confortáveis cadeirões, voltando a encostar-se O sofá a um canto, servindo apenas para pousar os cestos de roupa acabada de passar e pouco mais. Agora nesta jornada veio também, encatrafiado na sala em que mal cabe à força, uma vez que ainda estava em bom estado de conservação, era desperdício não trazer. Ao fim de quase dois meses de labuta inglória, somos obrigadas a chegar a uma conclusão: alguma coisa tem que sair. O quê? O sofá! - nunca é utilizado, ainda por cima não deve muito à beleza, não é preciso chamar o querido mudei a casa por uma decisão que podíamos perfeitamente ser nós a tomar. Vamos então vermo-nos livres dO sofá, supunhamos nós. Pragmaticamente, para aliviar o peso de carga, decidimos desmontar a parte "cama" dO sofa-cama; falar ou escrever é idoneamente fácil - destruir, acreditava eu em inocência, também. A não ser, que o objecto da nossa destruição, tenha sido alvo de uma construção trapalhona. Resumindo e concluindo, o raio da cama estava presa ao sofa por uns pregos grossíssimos, equivalentes ao diâmetro da minha mão, que nem sequer bem pregados estavam, a bela obra estava dobrada à volta da madeira do fundo. Logo hora e meia gasta aí, a utilizar uma chave de parafusos como pé de cabra, um alicate como tesoura, gira que não gira à volta das cabeças, lá foi. Uff, muito melhor! Agora que está leve, tiramo-lo com relativa facilidade. Esquecendo apenas que quando O sofá entrou, e passou pelo estreito corredor directo à sala de estar.. ..a casa estava vazia. Com vazia refiro-me sobretudo à ausência da estante das BDs que ocupa metade do hall de entrada. "Se tentarmos passar primeiro os braços, um ângulo de 45º, inclinando as costas obliquamente, empurrando um bocadinho para a cozinha..." - "Não passa assim.. puff.. e se fizermos isso, levantando acima da estante?" - "Podemos tentar" - "olha o candeeiro.." - "não passa na porta por causa das costas" - "Cuidado que eu estou aqui!" - Incrivelmente divertido, tanto que o raio dO sofa se recusava a sair do posto. Não estando para modas, fui buscar a serra à caixa de ferramentas, apontando directamente para o tecido, comecei a serrar. Foi o que comecei, sim, o terminar já envolveu pontapés e insultos mentais atentando contra a 3ª geração descendente do objecto. Não havia de ser mais teimoso, e já sem costas, lá passou (por cima da estante), tendo sido arrastado até aos caixotes de lixo mais próximos, que pelo momento da nossa chegada, já contavam com um fogão e um candeeiro - adicionando O sofá e a cama, será possivel fornecer uma casinha, nada ambicioso, assim uma coisa em começo de vida, beneficiando de um género de decoração negligé.
Não foi o filme da minha vida mas ocupou-me bem a tarde, em compensação dos muitos anos em que a sua presença foi descurada, achei que merecia uma referência. Portanto aqui fica, a história dO sofá, é favor ler com uma entoação estourada.

13 agosto 2009

Custo de Morte em Lisboa

A bela capital, centro da vida, epicentro da acção, espaço de referência neste pequeno país tuga, como obrigatoriedade em qualquer itinerário. Gosto da minha capital, não sei explicar porquê mas gosto. Não, não é patriotismo, não é veleidade no leque de interesses, gosto apenas. Tendo sempre vivido no que será considerado um subúrbio, faço agora o número da saloia que vem à cidade. Constatei há alguns anos atrás, na plenitude de todo o meu espanto, que as coisas nos arredores onde habitei, eram mais caras! Uma t-shirt “igualinha” às que se vendem na Zara por 4,90€, na Moda Jovem custa 9,90€. Poderá pensar-se que a diferença monetária se justifica pela qualidade, mas não. Um cinzeiro a imitar os da Casa, numa loja de decoração rasca, tende a duplicar o preço, porquê? Será que o dono foi compra-los à Casa e o excedente que nos cobra é o custo do transporte? Realmente não sei. Poderão questionar-se porque abordo isto, é justo e passo já de seguida a explicar: primeiro porque é suposto escrever aqui qualquer coisinha e, não tendo nada sobre o qual falar, parece-me um bom não-tópico. Segundo, como acima referi, sou a saloia que veio à cidade, e com a inflação em mente, encontrei alguns produtos que são a excepção nesta incompreensão. São eles pois, os periféricos do tabaco, os amigos do tabagista, perseguido neste holocausto de saúde que se vive. Falo de mortalhas e filtros uma vez que o tabaco em si tem preço de tabela, deixando os itens remanescentes por tabelar à descrição do vendedor. No meu subúrbio podia facilmente adquirir estes complementos por um total de 1,60€, tudo bem que já sabia onde era mais barato mas não variava muito à volta deste total, duas embalagens com 50 mortalhas, a 0,25€ cada, e caixinha com 100 filtros por 1,10€; na adorada capital que tanto gabo, na tabacaria do centro comercial do Lumiar, aproveitaram-se da minha necessidade de nicotina para me cobrarem 1,30€ pelas mortalhas, unicamente, este é apenas um exemplo demonstrativo. Ainda para mais, tendo em conta todas as inibições impostas pela lei do tabaco, lei essa que respeito, tendo atenção aos passivos, creio que o fumador devia beneficiar de umas promoções ou algo que se pareça, uma vez que nos assiste o direito de nos auto-destruirmos, sem cairmos à mercê das tabacarias que exploram o nosso vício. Acho indecente, tenho dito!! (Dupla exclamação para dar ênfase).

Finito

Bem, a pedido de muitas (as suficientes) famílias, resolvi que está na hora de reabrir isto para passar eras sem cá submeter post algum. Para quem se interroga onde estão as mudanças que justificaram o encerramento temporário, esclareço já: são peculiares, só os invisuais é que conseguem ver, está explicado? Óptimo, não gosto de ver ninguém intrigado!