20 novembro 2008

Escola? É para aprender!

Há certas coisas que me surpreendem em demasia, ingenuidade minha talvez, de qualquer forma pode ser que colocando-as por escrito me aproxime de uma conclusão.
Estando para terminar o secundário há seis anos, não tenho grande escolha em relação ao local que me passe o certificado, sujeitando-me às circunstâncias frequento agora, pela primeira vez, o ensino profissional na área de multimédia. Já tinha sido prevenida por uma alma caridosa que as escolas profissionais às vezes têm o que se lhe diga, nos meus momentos mais criativos julgo que a minha não passa de um complôt do ministério para subir as estatísticas da educação.
Sem desrespeito a alguns professores meus que até encaram a sua profissão com seriedade, esforçando-se no sentido de nos preparar para o futuro que se adivinha, desconsidero completamente outras personagens que se escondem atrás desse título que costumava significar algo.
Ontem, por exemplo, tive uma fantástica visita de estudo à FIL, concretamente à feira das tecnologias (onde a passagem do nosso exmo primeiro ministro era óbvia, não havia banquinha alguma onde não existisse um magalhães - computador este, descobri eu em jeito de infracção, onde corre o age of empires, é de valor), no âmbito da disciplina de ed. física (suspiro) e formação tecnológica. À hora de almoço o meu prof. de ed. física anuncia a sua debandada, sendo requerida a nossa presença na feira durante a tarde, devidamente acompanhada pelo prof. de FT. Qual o espanto geral quando por volta das 16h30, após termos esperado no ponto de encontro durante 40m pelo cavalheiro, literalmente, feitos otários (salve a expressão), perdemos amor ao saldo e contacta-mo-lo telefonicamente para descobrir que o paspalho já se tinha ido embora.. Gostaria de saber quem lhe marca falta a ele.
Hoje foi ainda mais giro. Visita de estudo de inglês, inicialmente prevista ao pavilhão do conhecimento (desconheço a relação, é inexistente suponho) mas, devido a desacatos por parte de alunos da escola em anos anteriores, impossibilitada, repensada e convertida numa ida ao cinema - estes professores ainda querem fazer menos que os educandos - mantendo-me coerente, o percurso era iniciado na escola já na companhia da prof.ª, cujas vestes incluíam umas calças de lycra preta, transparentes nas canelas, uma camisola amarela que combinava plenamente com o verniz roxo e, os famosos óculos escuros-mosca que inundam a população ultimamente. Face a este cenário, houve um génio de outra turma que achou apropriado gritar "olha a abelha maia", comentário este que teve a sua eloquente e gestual resposta por parte da profª, que não hesitou em deixar estalar o verniz e berrou: "TOMA!" enquanto acenava determinadamente com o dedo médio erguido...
Que tipo de geração irá resultar destes contributos? Bem sei que um professor assiste a números consideravelmente mais escandalosos da autoria dos alunos, mas um professor é um ser já desenvolvido, capaz de pensar por si próprio (espera-se), isento portanto das influências cáusticas a que está exposto. Aqui em dois dias, tive duas lições distintas: a (des)consideração é manuseável e unilateral, algo a que me devo habituar; Se ouvires uma boca não dês a outra face, responde também da forma mais baixa que conseguires encontrar e promove assim um ambiente cultural mínimalista. Duas lições que de pouco me irão servir na minha vida adulta, a não ser, claro, que opte por me tornar professora..

3 comentários:

Unknown disse...

Não sendo revoltada com o Goucha (coitado, até me parece simpático, embora não seja espectadora do seu programa diário), sou, de momento "dona de casa", logo parece que me enquadro no público-alvo do presente blog.
Assim, e relativamente aos professores referidos ocorrem-me duas sugestões:
1. Em relação ao professor de FT, deveria ser questionado sobre a sua atitude, de abandonar os alunos e solicitada esplicação ao DT.
2. Quanto à "Abelha Maia" deveria ser fotografada (para que servem os TMs topo de gama que todos os meninos exibem actualmente?)e ser exposta no jornal da escola em todo o esplendor da sua bela educação |(que já vimos que não tem mas deveria fingir, pelo menos nas horas de serviço).
Felicidades para o blog
Isabel

Inez disse...

já me ri.
agora vou pensar se podes ser professora nessa escola.
já pensei.
não podes. tens nivel a mais. mas podes ir para outra escola.

Unknown disse...

Excelente redação meu bem, só o nivel da tua professora da para ver bem o tão mediocre que o ensino está.. enfim! Já tinhamos debatido essa situação, nem daqui a 20 anos ela vai aprender, e vai continuar a ter as mesmas atitudes, deprimentes!
Ao menos o AOE corre no magalhães, isso deve ter salvado o teu dia =P @@